O Dia de São Roque é comemorado anualmente em 16 de agosto.
A data é uma celebração tradicional entre os católicos e homenageia São Roque, conhecido como padroeiro dos enfermos, dos inválidos e dos cirurgiões, além de ser invocado como protetor contra a peste e outras doenças contagiosas.
Sua história está profundamente ligada à caridade e ao cuidado com os doentes. Por isso, ao longo dos séculos, São Roque tornou-se uma figura muito querida em diferentes regiões da Europa e também no Brasil.
Quem foi São Roque?
Segundo a tradição, Roque nasceu por volta de 1295, em Montpellier, na França, em uma família rica e nobre.
Ainda jovem, ficou órfão e decidiu abrir mão dos bens que havia herdado. Distribuiu sua riqueza entre pessoas pobres e partiu em peregrinação para a Itália, onde encontrou diversas cidades atingidas pela peste.
Em vez de fugir dos doentes, Roque decidiu ajudá-los. Visitava hospitais e locais onde havia pessoas contaminadas, cuidando dos enfermos e, segundo os relatos tradicionais, realizando curas.
Sua dedicação aos doentes fez com que a sua fama de santidade se espalhasse.
São Roque e a peste
A vida de São Roque está associada a um dos períodos mais difíceis da história europeia: as grandes epidemias de peste.
A chamada Peste Negra, que atingiu a Europa no século XIV, provocou milhões de mortes e transformou profundamente a sociedade europeia. A doença espalhou medo e levou muitas pessoas a abandonar as regiões atingidas.
Nesse contexto, a tradição apresenta São Roque como alguém que escolheu permanecer próximo dos enfermos para prestar auxílio.
Durante uma epidemia, ele próprio teria contraído a doença. Para não colocar outras pessoas em risco, afastou-se e refugiou-se numa floresta.
A história do cão de São Roque
Um dos episódios mais conhecidos da tradição sobre São Roque envolve um cão.
Segundo a lenda, enquanto o santo estava doente e isolado, um cão pertencente a um homem rico da região passou a visitá-lo diariamente. O animal levava um pão na boca, ajudando a alimentar o enfermo.
O dono do cão, intrigado com o desaparecimento diário do alimento, teria seguido o animal e descoberto São Roque. Ao perceber a situação, passou a ajudá-lo.
Por isso, São Roque é tradicionalmente representado acompanhado de um cão com um pão na boca.

A morte de São Roque
Depois de retornar à sua região de origem, Roque teria sido confundido com um espião e acabou preso.
De acordo com a tradição, permaneceu encarcerado durante anos sem revelar a sua verdadeira identidade.
São Roque teria morrido na prisão em 16 de agosto, data que passou a ser associada à sua celebração.
Uma lenda conta que, após a sua morte, um carcereiro percebeu que o prisioneiro possuía uma marca de nascença que ajudou a revelar a sua verdadeira identidade. A partir daí, a notícia sobre a sua vida e os seus atos de caridade teria se espalhado.
São Roque no Brasil
A devoção a São Roque chegou ao Brasil durante o período colonial e se espalhou por diferentes regiões.
Diversas cidades brasileiras possuem igrejas, capelas e festas religiosas dedicadas ao santo. Em algumas comunidades, as celebrações incluem missas, procissões, novenas e distribuição de alimentos.
A tradição de pedir a proteção de São Roque contra epidemias também ganhou especial importância em períodos marcados por doenças contagiosas.
São Roque e as tradições afro-brasileiras
No Brasil, São Roque também aparece relacionado a tradições de sincretismo religioso.
Em algumas regiões e tradições da Umbanda e do Candomblé, ele é associado a Obaluaiê ou Omolu, orixás relacionados à saúde, à doença, à cura e à transformação.
Essa associação não é universal e pode variar de acordo com a tradição religiosa e a região. O sincretismo brasileiro reúne referências de diferentes tradições culturais e religiosas que foram se relacionando ao longo da história.
Oração a Obaluaiê / Omolu
“Casinha branca, casinha branca que eu mandei fazer para oferecer a meu pai Omolu, meu pai Omolu, seu Atotô Obaluaiê. Oi salve Mamãe Oxum! Saluba Nana Buruquê! Salve Atotô Olabuaiê…”
Oração de São Roque
“São Roque, que soubestes levar com fidelidade a sublime missão que lhe foi confiada, a mais nobre entre todas – a santa Caridade -, que operastes milagres de cura por intercessão de Nosso Senhor Jesus Cristo e tanto padecestes em dor física e moral pelas injustiças dos homens, rogamos-vos vossa proteção sobre todos os que estão neste momento sofrendo.
Concedei-nos também este coração cheio de misericórdia que tivestes, para que, por esta virtude, possamos também nós alcançar a terna misericórdia de nosso Pai Celestial. Por Cristo Nosso Senhor. Amém".